Portugal, Meu Remorso sobe ao palco do Teatro-Cine de Torres Vedras, no próximo dia 5 de junho, sexta, pelas 21h30, num teatro criado e interpretado por Ana Nave e João Reis, com dramaturgia de Maria Antónia Oliveira, a partir de textos de Alexandre O’Neill. A produção é da autoria conjunta do Lince Viaja e do São Luiz Teatro Municipal.
Esta peça de teatro destina-se a maiores de 12 anos e o preço do bilhete é de 5 €.

Verbalizar os dislates da vida e do amor à luz de um país incerto, é um exercício que na escrita e na personalidade de O´Neill se transforma numa espécie de combustível sem limites, desígnio perfeito para uma vida inspirada: “Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor/ O tapete que vai partir para o infinito/ Esta noite ou uma noite qualquer”. Quando, num café do Príncipe Real, se juntam os criadores da peça para dar um destino ao enorme apreço pelo poeta, também procuravam esse difícil compromisso entre tornar legíveis as várias explosões de sentido da sua poesia e, ao mesmo tempo, revelar uma unidade dramatúrgica que fosse visível para todos: imagens, canções, visões periféricas. Se em muitos aspetos, O´Neill foi um poeta incompreendido e indecifrável, como o é tantas vezes a nossa “vidinha”, é certo que se tornou um dos grandes do século XX, com vida cheia e literalmente profícua e a contaminar tantas e tantas criaturas.” Portugal, Meu Remorso é um tributo assumido das inquietações e incertezas, da admiração pelo poeta que apostava tudo na vida “mesmo que errada”. Esta noite ou uma noite qualquer, com algumas palavras de ódio e outras de amor, a viagem é destinada ao Portugal infinito de Alexandre O´Neill.

 
Alexandre O’Neill
Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões nasceu em Lisboa, a 19 de Dezembro de 1924 e morreu a 21 de Agosto de 1986, foi um importante poeta do movimento surrealista português. Autodidata, O’Neill foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa. É nesta corrente que publica a sua primeira obra, o volume de colagens A Ampola Miraculosa, mas o grupo rapidamente se desdobra e acaba. As influências surrealistas permanecem visíveis nas obras dele, que além dos livros de poesia incluem prosa, discos de poesia, traduções e antologias. Não conseguindo viver apenas da sua arte, o autor alargou a sua ação à publicidade. É da sua autoria o lema publicitário «Há mar e mar, há ir e voltar». Foi várias vezes preso pela polícia política, a Pide.”

 
Ficha técnica
Criação e Interpretação de Ana Nave e João Reis, com dramaturgia de Maria Antónia Oliveira, a partir de textos de Alexandre O’Neill
Apoio Dramatúrgico: Rui Lagartinho
Movimento: Félix Lozano
Espaço Sonoro: Francisco Leal
Vídeo: Patricia Sequeira e Duarte Elvas
Desenho de Luz: João Cachulo
Figurinos: Rafaela Mapril
Produção Executiva: Mónica Talina
Coprodução: O Lince Viaja e São Luiz Teatro Municipal