O projeto municipal torriense Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino vai mais uma vez levar a cabo uma Festa das Histórias de Vida.
Esta iniciativa acontecerá no próximo dia 26 de maio, no Museu Municipal de Torres Vedras, com o seguinte programa:

 
14h30 | Apresentação de projetos em histórias de vida:
· “No coração da minha infância”
Este projeto desenvolvido pela Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino, em parceria com o Clube Sénior da Câmara Municipal de Torres Vedras, nasceu da necessidade de ouvir o que cada um “guarda do tempo em que foi criança, visando trabalhar sobre as canções de berço e de roda, as alegrias do eixo ribaldeixo e do arco, a quietude e o silêncio por entre as carteiras da sala de aula e junto ao quadro negro da escola”.
Na ocasião haverá um coro de leitura de excertos do trabalho em Histórias de Vida levado a cabo por alunos do 5.º H da Escola Básica Integrada Padre Francisco Soares, sob coordenação de Odília Piteira.

 
“Anotar os Dias – Os abraços da Lua”
Este projeto desenvolvido pela Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino, em parceria com o Clube Sénior da Câmara Municipal de Torres Vedras, para a criação de um “Museu Regional de Recordações”, pretende trabalhar as histórias de vida no sentido de traçar o perfil do povo do concelho de Torres Vedras por meio das suas lembranças. Este ano estabeleceu-se no horizonte das respetivas recolhas “Viver sem luz elétrica”, investigando as memórias e tradições do povo que criou ditados como “De noite, à luz da candeia, até a burra parece donzela” e inventou as histórias para combater o medo do escuro.

 
16h | Visita à Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino para inauguração das exposições “Livro de Retalhos”, “Quarto Escuro” e “As avestruzes não entram nos contos de fadas” (patentes até 29 de agosto)
“Livro de Retalhos”- Exposição dos trabalhos que decorrem do projeto “No coração da minha infância”. Partindo de um trabalho em histórias de vida feito com seniores e utilizando como suporte o scrapbooking, vão dar-se a ver nesta mostra memórias significativas da infância dos mesmos, transformadas em objetos artísticos com a ajuda de alguns artistas plásticos convidados para integrar este projeto.
“Quarto Escuro”– Exposição relacionada com o projeto “Anotar os Dias” que recorda o tempo em que, noite dentro, a lua e as estrelas eram os únicos pontos vibrantes e o resto eram sombras: “Na cozinha acendiam-se candeias, candeeiros lagareiros, candeeiros de petróleo… Mas nenhuns conseguiam realmente deitar a cabeça à rua, eram de perna curta e por isso, quando se saía, havia medo, medo do escuro, porque nesse escuro vibravam bruxas, lobisomens, seres deste mundo e do outro. As mulheres, sentadas ao lume, fiavam a lã e o linho, remendavam camisolas, punham fundilhos nas calças dos mais novos. Não raro também se pegava no terço, se ofereciam os mistérios e se dava início à recitação. Vivia-se junto. Às vezes, se o tempo assim o permitia, os homens iam até lá fora, e falavam de colheitas e sementeiras, mas às escuras, sempre às escuras, atentos à chegada dos tais lobisomens e bruxas”.

 
“As avestruzes não entram nos contos de fadas” – Exposição de trabalhos de alunos do 10.º G, da Escola Secundária Henriques Nogueira, sob coordenação de Rosário Lucas e Sandra Ferreira, em resposta ao Desafio “Primeiros Voos”. Partindo do título de um livro homónimo de Gilles Bachelet, esses alunos criaram uma pequena história, feita de palavras e de ilustrações, capaz de despertar ”uma verdadeira ternura por esse mundo de criaturas desengraçadas e desengonçadas”. Nos trabalhos que são expostos nesta mostra certamente se encontra os ritmos, as sonoridades, as repetições, os modelos simbólicos, as cores e as luzes que os alunos envolvidos foram buscar à memória criadora, mas também aos conhecimentos dados em sala de aula, os quais despertaram as suas potencialidades, desafiando as suas limitações.