No âmbito das comemorações do 250.º aniversário do nascimento de Francisco Ciera, inúmeras entidades representativas de diversas áreas abrangidas pela ação deste académico e cientista têm vindo a levar a cabo ao longo de 2013 e 2014 um conjunto de atividades evocativas da sua obra – abrangendo áreas que vão da matemática à geografia, passando pela geodesia, a marinharia, a cartografia, a engenharia militar e a metrologia.
É também integrado naquela efeméride e focalizado nos estudos da referida personalidade na área da telegrafia visual que se realizará o ciclo de colóquios “Francisco António Ciera e o telégrafo português nas Linhas de Torres”.
Organizado pela Câmara Municipal de Torres Vedras (entidade que integra a Rota Histórica das Linhas de Torres e é cooperante das referidas comemorações), este ciclo de colóquios integra-se nas Festas da Cidade de Torres Vedras e terá lugar no pavilhão central do Parque Regional de Exposições, em Torres Vedras.
Desenvolvendo-se entre os dias 7 e 12 de dezembro, contempla a realização de duas sessões alternativas para o público em geral e de “conversas” participadas e interativas direcionadas ao público escolar.
Recorde-se que Francisco António Ciera (1763 – 1814) foi um multifacetado cientista português. Uma das suas incumbências foi organizar e implantar uma rede nacional de telegrafia visual, numa altura em que se temia em Portugal mais uma invasão francesa. Ciera não só o fez como também inventou três tipos de telégrafo ótico mais simples, mais baratos e mais fáceis de operar que todos os outros existentes no mundo por essa época. O seu trabalho viria por isso a revelar-se decisivo para as Linha de Torres, o mais eficaz sistema de defesa militar de campo da História.

O programa do ciclo de colóquios “Francisco António Ciera e o telégrafo português nas Linhas de Torres” é o seguinte:
7 de novembro

Sessão Inaugural

Público em geral

09h30 | Receção dos participantes

10h00 | Abertura da sessão

10h15 | A telegrafia visual e as Linhas de Torres Vedras, por C.te Rui de Sá Leal

Introdução à intervenção: As Linhas de Torres Vedras, enquanto dispositivo de defesa, foram sendo sucessivamente aperfeiçoadas e fortalecidas, de acordo com as circunstâncias da guerra e o tempo disponível. Mas em qualquer caso, a rápida movimentação das forças era crucial para o êxito do exército aliado ali posicionado. Wellington queria pois dispor de um sistema eficaz e expedito de circulação de informação e ordens no seu teatro de operações: uma rede de telegrafia visual.

10h45 | Captain Edmund Mulcaster Royal Engineer, and the British use of telegraphs in 1810 | Introdução à intervenção: Dr. Mark S. Thompson Mulcaster esteve na Península de 1808 até à sua morte em 1812. Desempenhou um importante papel na construção das Linhas de Torres Vedras sendo responsável por muitos dos fortes à volta de Torres Vedras. Esteve também no exército de Wellington na fronteira portuguesa em 1810. Em ambas as situações, esteve envolvido na construção de telégrafos.

11h15 | Pausa para café

11h30 | O telégrafo ótico português e a sua utilização nas Linhas de Torres Vedras, por C.te Rui de Sá Leal

Introdução à intervenção: Os telégrafos óticos inicialmente instalados nas Linhas de Torres eram operados por marinheiros ingleses da Royal Navy. Circunstâncias aparentemente menores fizeram com que estes fossem mandados regressar aos seus navios a escassos dias de os franceses chegarem às Linhas. Assim se instalaram os telégrafos portugueses de Ciera ao lado dos homólogos ingleses. Já, aliás, haviam sido utilizados com êxito pelas forças aliadas na Beira. Mas afinal que telégrafos óticos eram estes?

12h00 | Telégrafo português: a réplica do Forte de S. Vicente, por Carlos Ribeiro da Cunha

Introdução à intervenção: Para além dos limites da pesquisa documental e da dedução: um desafio multidisciplinar de aproximação à arqueologia experimental. Da interpretação do conceito histórico e tecnológico até à construção e operação da réplica do telégrafo português “de ponteiro”.

12h30 | Debate

13h00 | Exposição evocativa de Francisco António Ciera | Visita orientada

MÓDULO 1 | “A odisseia da Carta Geral de Portugal” da autoria do Instituto Geográfico de Exército

MÓDULO 2 | “Corpo Telegráfico: 1810-1864” da autoria da Comissão da História das Transmissões

Telégrafos portugueses: “de ponteiro” e “de 3 balões”

Apresentação das réplicas, à escala natural, e demonstração do seu funcionamento (equipamentos destinados ao Forte de S. Vicente)

13h30 | Almoço livre

Almoço de época, em restaurante; sujeito a marcação prévia

15h00 | Homenagem a Francisco António Ciera

Descerramento de placa toponímica numa praceta do Bairro do Hilarião, em Torres Vedras
8 de novembro

Sessão Aberta
15h00 | Abertura da sessão

15h15 | A telegrafia visual e as Linhas de Torres Vedras, por C.te Rui de Sá Leal

16h45 | Debate

16h00 | O telégrafo ótico português e a sua utilização nas Linhas de Torres Vedras, por C.te Rui de Sá Leal

16h30 | Telégrafo português: a réplica do Forte de S. Vicente, por Carlos Ribeiro da Cunha

17h00 | Debate

17h15 | Telégrafos portugueses, “de ponteiro” e “de 3 balões”: demonstração do funcionamento das réplicas | Exposição evocativa de Francisco António Ciera
(visita orientada)

12 de novembro

Sessão dirigida à comunidade escolar

Conversas telegráficas sobre “Francisco António Ciera e o telégrafo português nas Linhas de Torres Vedras” e operação (participada) das réplicas dos equipamentos de transmissão.

Público-alvo: alunos dos 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário

1.ª Sessão: 9h15 – 10h45

2.ª Sessão: 11h – 12h30